Estive pensando nesses últimos dias que, apesar de nunca ter me imaginado mãe, eu nunca me imaginei mãe de um menino.
Tem toda aquela questão do custo ser menor, que se encaixa perfeitamente bem com o escorpião que eu crio dentro de cada um dos meus bolsos, mas uma menina é meio que criar uma igual, parece ser mais simples que criar um menino no final das contas.
Não tenho nenhuma predileção pelo sexo da criança e meio que desde o início eu já me referia ao bebê como ele (e não apenas porque bebê é uma palavra de gênero masculino). Mas como mulher eu já sei um pouco sobre o que vem pela frente mas um menino... Muitas surpresas a caminho.
Vamos às minhas considerações. Eu sempre tive cá comigo que a "culpa" dos homens serem como são se deve às mães. Como filha caçula com dois irmãos eu fui bem paparicada e protegida, mas quando cheguei na idade de exigir os direitos iguais (meus irmãos podiam dormir com as namoradas em casa e eu queria o mesmo direito) minha mãe teve um certo colapso nervoso. Quer dizer, ela privilegiava meus irmãos apenas por serem homens. Nada justo.
Outra coisa é a tal bagunça. Homem é bagunceiro porque tem a mãe para arrumar a bagunça deles. Meus irmãos deixavam um rastro pela casa quando chegavam: sapatos na sala, meias no corredor, camisa em cima da televisão... Como menina era esperado que eu fosse caprichosa e meu quarto fosse organizado, limpo e cheiroso.
Outra coisa... como mulher e mineira eu fui criada para ser uma menina séria. Meus irmãos aprontavam todas! Cada dia com uma "namorada" diferente. Vai me dizer que isso não é um comportamento que os pais, se não estimulam, fazem "vistas grossas"? Imagina se eu aparecesse cada dia com um "namorado" diferente em casa? Ia ser o princípio do fim do mundo para minha mãe.
E olha que minha mãe era uma pessoa estudada, inteligente, moderna, muito a frente do tempo dela. Mas ela meio que perpetuou a criação que ela teve: menino pode e menina não pode.
Eu espero não pagar língua. Espero conseguir colocar meu filho na linha. Espero ensiná-lo que o sofá da sala não é lugar para cueca e meia e nem os tênis vão andar sozinhos até o armário. Espero ensiná-lo que lavar um copo sujo não irá fazer com que o braço dele caia e que toalha molhada deve ser pendurada e não deixada para apodrecer em cima da cama. Mas principalmente eu espero conseguir ensinar ao meu filho que ele seja respeitoso de uma forma geral e que a gente pega ônibus e não mulher. Pode parecer antiquado, e talvez até seja, mas é que eu passei por situações e tenho visto amigas e conhecidas passarem por situações com homens que eu fico me perguntando se as mães desses indivíduos ficariam satisfeitas se soubessem o que está acontecendo... Se eu ficaria satisfeita sabendo que meu filho está se comportando assim. Não quero que ele seja bobo, mas seja correto. Nem santo, mas honrado. Com homens e mulheres, amigos e amigas, enfim... que seja um ser humano respeitável. E que não fique pensando que pode fazer o que bem entender só porque nasceu menino.
Não sei o quanto alguns comportamentos são "genéticos" ou "aprendizado". Só espero não fazer vistas grossas para comportamentos que eu considero inadequados. Não quero ser o tipo de mãe que passa a mão na cabeça e cria, literalmente, monstrinhos. Espero de verdade que eu consiga agir conforme penso e falo, a partir das ideias que considero corretas.
Acho que a responsabilidade de ser mãe está começando a apertar....

June...Brilhante!
ResponderExcluirIsso mesmo, educação começa, e principalmente, se consolida em casa....Tb tenho feito muitas reflexões sobre a forma de educar os gêmeos.
Eu terei que igualar as coisas aqui em casa, para que o Pedro e a Júlia saibam que, apesar de serem pessoas de sexos diferentes, os valores são únicos! Boa sorte para nós...
Pra você trabalho dobrado! Alias, responsabilidade dobrada! Adorei os nomes dos pimpolhos! :)
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