E não é que meu pequeno foi apressadinho e nasceu 45 dias antes?
Pois é...estava eu na casa da minha prima, descansando e comecei a me sentir estranha. De início foram minhas vistas. Um monte de "lombriguinhas" (tem um nome todo complicado que eu não me lembro agora) apareceram. Dor nas costas e uma dor de barriga terrível. Como no dia anterior eu tive uma certa diarréia, imaginei que era alguma coisa que eu comi; Só que a dor foi aumentando... o incomodo foi piorando... e eu fiquei preocupada. Minha prima foi categórica: vai pro hospital e liga pro seu obstetra. Liguei para o Giovani e ele também mandou eu ir para o hospital. Confusões a parte (Rua Rio Grande do Norte fechada, nos perdemos no Mangabeiras), demoramos a chegar no hospital e meu médico liga para mim me perguntando onde eu estava. Dois minutos de conversa e ele lasca que eu tô com voz de quem está em trabalho de parto....oi?
Cheguei no hospital e a médica do plantão também vira e fala que eu tava com cara de quem estava em trabalho de parto...oi?
No final das contas eu estava em trabalho de parto. Sem dilatação, sem sangramento e sem que minha bolsa tivesse estourado. Meu médico ficou preocupado que eu tivesse descolamento da placenta (que acabaria em morte do bebê se ocorresse de verdade) e resolveu adiantar o parto. E ai o Henrique nasceu às 20h01 do dia 3 de junho, domingo. Nasceu geminiano como minha mãe, 45 dias antes da data em que completaria 40 semanas, com supostos 51cm e 2,450kg. Pela pressa teve que ir para a UTI e passou 7 dias lá. Foi entubado por ter nascido com uma tal de Membrana Hialina, tomou várias injeções, remédios e banho de luz para curar uma icterícia. Tive autorização para pegá-lo no colo somente 4 dias depois dele ter nascido, mas o pior foi ter recebido alta antes dele. Entrei no hospital com ele na barriga e sai sem nada, apenas com o número do "leito" que ele ocupava no hospital, B02. A sensação que eu tinha é que estava num sonho...Será que eu tinha ficado grávida mesmo? Será que eu tinha realmente tido um filho? Foi um tanto surreal.
Nessa brincadeira eu apelei com a psicóloga do hospital (se ela queria uma prova de que eu estava histérica, ela teve... e mais para homicida do que para suicida) e vivi uma das piores experiências da minha vida: passar 12 horas diárias dentro de um lugar cheio de aparelhos, bebês recém nascidos chorando e em pé. No final do dia eu estava moida. Felizmente o Thiago ficou todo o tempo ao meu lado. Choramos, nos emocionamos com as vitórias do nosso pequeno e, de uma certa forma, reforçamos os laços que nos uniu. Foi uma sorte estar em Bh e mais ainda ter escolhido o Vila da Serra como o hospital do parto. Meu filho foi bem cuidado e hoje, está aqui, dormindo ao meu lado enquanto eu escrevo esse post.
E olha...do estranhamento inicial (posso pegar? claro que pode! ele é seu!) aos primeiros dias (e noites) com ele realmente do nosso lado eu posso dizer. Me encanta ver que esse pacotinho de gente já esteve se esticando dentro de mim. Me encanta ver que ele tem o queixo do pai e o meu nariz. Me encanta ver como ele tem ficado mais alerta a cada dia que passa e como ele busca minha voz quando eu falo com ele e não estou por perto. Me encanta ver o quanto ele se sente confortável quando eu coloco ele para dormir no meu peito. É surpreendente como que duas células que se encontraram foram capazes de se transformar num ser humano que respira, ri, chora, reclama da vida, faz xixi e, benzodeus, côco como gente grande. De uma certa forma é surreal essa história toda.
E vou falar: estou muito feliz com meu pequeno. Ainda estou me habituando a essa nova vida (depois falo mais sobre isso), mas só de pensar que ele poderia não existir me tira o ar e me dói o peito. Acho que é amor. Do tal tipo incondicional que tanta gente fala.

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